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Visita a comunidade indĆ­gena TekoĆ” Marangatu

  • Cintia Caciatori e Tiago Kestering
  • 16 de dez. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 29 de jun. de 2025

Eu sempre tive curiosidade de visitar uma comunidade indĆ­gena e tive o prazer de conhecer a comunidade TekoĆ” Marangatu na cidade de ImaruĆ­, em Santa Catarina. O significado do nome Ć© ā€œlugar para viver em harmoniaā€. Agora vou contar pra vocĆŖs todos os detalhes desta experiĆŖncia, aqui tem o vĆ­deo completo da visita e entrevista com moradores.


A visita

Para realizar a visita entramos em contato com uma professora da escola da comunidade. Ela, por sua vez, pediu autorização ao cacique. A única exigência foi que levÔssemos fumo de corda e erva mate. Estes produtos são usados em suas cerimÓnias.


O dia estava lindo! Depois de um inverno chuvoso, um calor gostoso tinha finalmente chegado.

Fizemos a visita num sÔbado de manhã. Chegamos por volta de 9:30h. Uma reunião estava acontecendo entre os moradores. Por isso o cacique nos recebeu rapidamente e nos deixou à vontade para conhecer a comunidade, avisando que falaria com a gente ao final da reunião.


Por voltas das 11h da manhã o Sol começou a torrar nossa cabeça! Decidimos então pegar as trilhas beirando o rio. Foi bem mais fresquinho, além de conhecermos uma cachoeira linda!


Assim comeƧamos a caminhada. As casas sĆ£o pequenas e algumas possuem um formato redondo, como se fossem realmente ocas. JĆ” outras sĆ£o feitas de madeira num estilo mais ā€œurbanoā€. HĆ” tambĆ©m outras estruturas de barro e telhado de palha. O estilo de construção Ć© bem misturado, pois esta aldeia Ć© bem conectada com a nossa sociedade.

Origem

A comunidade é de origem tupi-guarani. Originalmente, estes guaranis estavam localizados nas regiões de Massiambu e Morro dos Cavalos (Palhoça, SC). Porém, estas terras foram atingidas pela instalação da obra gasoduto Bolívia-Brasil. Assim, conseguiram uma indenização e se transferiram para a Cachoeira dos InÔcios, em Imaruí, SC.


Religião

Na religião os indígenas são politeístas, ou seja, acreditam em vÔrios deuses. Eles possuem um deus principal, assim como os cristãos, mas existem muitos outros, como o Sol, a Terra, a Água e assim por diante. O Pajé é a autoridade mÔxima e responsÔvel por conduzir os rituais religiosos e curativos. Além do Pajé, os anciãos são muitíssimos respeitados e ouvidos por todos.


JĆ” o Cacique tem como função manter o relacionamento fora da aldeia. Ɖ ele quem negocia os interesses da comunidade e os acordos da melhor maneira possĆ­vel. PorĆ©m, tudo Ć© decidido entre os moradores com antecedĆŖncia, de forma bem democrĆ”tica. Mais tarde, conversando com o cacique, ele nos contou que hoje fazem questĆ£o de interagir e mostrar a realidade indĆ­gena para quem se mostrar interessado e disposto.



SaĆŗde

O cacique Irineu nos contou que, antigamente, havia o trabalho das parteiras, que auxiliavam no nascimento dos bebês, dentro da aldeia. Porém, além da profissão estar quase extinta, hoje praticamente todos os partos são feitos no hospital próximo, por questões óbvias de segurança. A aldeia também conta com a visita de agentes de saúde e eventuais serviços de odontologia e consultas médicas. HÔ uma integrante da comunidade que estuda odontologia na Universidade Federal de Santa Catarina, e seu objetivo é voltar para casa e prestar serviços à comunidade.


Educação e Idioma

A lĆ­ngua oficial Ć© o guarani e muitos moradores nĆ£o falam portuguĆŖs. Dentro da aldeia hĆ” uma escola de carĆ”ter duplo: municipal - educação infantil e ensino fundamental I e II - em que os professores transmitem o conhecimento ā€œdos brancosā€ e alfabetizam os pequenos em LĆ­ngua Portuguesa; e estadual, que contempla ensino mĆ©dio e educação de jovens e adultos. Para trabalhar em conjunto, hĆ” um professor indĆ­gena que faz o papel de intĆ©rprete. AlĆ©m disso, a cultura e os conhecimentos nativos tambĆ©m sĆ£o ensinados na escola.


Durante minha visita conversei bastante com o Sérgio. Ele me contou que hoje estuda na Universidade Federal de Santa Catarina. Os indígenas têm direito ao acesso pela política pública de ação afirmativa, também conhecida por lei de cotas. Ele me contou que seu objetivo depois de concluir o curso é voltar para ajudar a comunidade. A filosofia de vida dos moradores em geral é sair para obter maiores conhecimentos, aprender a cultura dos brancos e retornar para trazer benefícios à comunidade.


Em nossa cultura, o objetivo é estudar para ter uma profissão e enriquecer. A cultura do enriquecimento é muito enraizada e difícil de desfazer.


Emprego e Fonte de Renda

Os indígenas trabalham para sua sobrevivência e jamais para enriquecimento. Inclusive isto nem é uma possibilidade, nem passa pela cabeça deles. Nesta comunidade especificamente os moradores plantam sua própria comida. Existe uma plantação comunitÔria e também hÔ os quintais nas casas de cada família. As mulheres fazem artesanato para complementar a renda.

A escola da comunidade tambƩm gera muitos empregos aos moradores. Cada famƭlia tem um integrante que trabalha na escola.


Assista ao vĆ­deo completo:



ReferĆŖncia: terrasindigenas.org.br - Acesso em 16/12/2019.




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